Discretos indiscretos.

Já afirmei neste blog que Privacidade é um mito. As pessoas só não sabem sobre você aquilo que elas não querem saber. Discorda de mim? Tudo bem. Mas em um ponto você há de concordar: está cada vez mais difícil se manter discreto. Para alguns, talvez seja impossível, por uma característica muito especial, que descrevo a seguir.

 

privaidade-redes-sociais

 

Você está careca de saber que a internet é uma espécie de praça pública. Entrou ali, todo mundo vê. Quando entra, está ciente da movimentação de pessoas, dos ruídos, das intrigas, do comércio, dos blablablás e por aí vai. Então, se entrou na chuva, é para se molhar. De novo, talvez você discorde. Afinal, sites e redes sociais — sobretudo essas últimas — devem garantir um mínimo de privacidade às pessoas. Há leis para isso, inclusive. Seria antiético, injusto e ilegal expor quem as utiliza.

Está certo. Aceite, então, a provocação abaixo. Nada pessoal! Só quero aprofundar um pouquinho a discussão sobre esse tema. Algumas perguntinhas:

1- Se você valoriza tanto privacidade, por que cria perfis nas redes sociais? Elas existem para mostrar, não para esconder.

2- Já que prefere manter certo grau de discrição, por que ilustra seus perfis com fotos de seu rosto e/ou de seu corpo? Por que assina esses perfis com seu nome completo? Por que deixa sua timeline aberta?

3- Não faz nada disso? Está bem. Nesse caso, você optou por uma exposição seletiva. Só quem você autoriza é que pode ver seus posts. Nada impede, porém, que um amigo ou uma amiga mostre seu perfil a uma pessoa desconhecida. Pode, inclusive, copiar suas fotos e compartilhá-las via Whatsapp.

privacidade

 

4- Fora da web, você também está sob constante observação. As câmeras de vigilância estão por todos os lados. Acha que porteiros de edifício não bisbilhotam quando estão com tempo livre?Alguns bisbilhotam e comentam…

5- Quer combinar privacidade e popularidade? Difícil… Aonde você for, poderá encontrar amigas, amigos, ex, amigas de amigas, amigos de amigos, amigas de amigos, amigos de amigas, conhecidos, parentes, fãs, desafetos. Por que essas pessoas deixariam de comentar com outras que viram você? Não há lei contra isso.

Gosto sempre de lembrar análises que já li sobre a morte de Lady Diana, a célebre Lady Di. Ela sofreu acidente de carro em Paris quando fugia de paparazzi.

Alguns analistas apontaram Lady Di como exemplo de pessoa que mantinha relação ambígua — para não dizer contraditória — com os meios de comunicação. Por um lado, gostava de chamar a atenção. Apreciava os holofotes. Por outro, fugia dos curiosos quando desejava estar “em paz”.

Acontece que uma atitude compromete a outra, especialmente quando se trata de gente famosa. Afinal, uma vez que a pessoa se expõe voluntariamente, está investindo na própria visibilidade. Como controlar essa visibilidade depois? Paparazzi e outros tipos de gente curiosa podem estar errados ao bancar “stalkers”, mas, em algum momento, essa turma recebeu convite para a “festa”. Se ficou bêbada e fez bagunça, é outra história.

Não defendo quem invade privacidade alheia. Cultivo a discrição sempre que me cabe e respeito o direito das pessoas ao mesmo. No entanto, penso que, se você realmente valoriza privacidade, deve ter a coerência de não promover muito sua visibilidade, seja onde for, seja como for. Simples assim.

 

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