Amizade não correspondida.

Praticamente todo mundo tem pelo menos uma história para contar de paixão ou de amor não correspondido. Raramente se ouvem histórias de amizade não correspondida. Será que ninguém quebra a cara ao investir em pessoas com o único propósito de torná-las amigas? Claro que sim. Mas por que será que isso acontece?

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“Amizade Mágica”, tela de Adélia Sarro.

Na adolescência, isso é comum. Há sempre um tipo na escola que alguns não querem como amigo, geralmente (mas não necessariamente) por causa de preconceito: origem geográfica, classe social, religião, orientação sexual, cor da pele e por aí vai. Na fase adulta, o preconceito costuma ser disfarçado, dissimulado e, felizmente, pode até diminuir — quando as pessoas de fato amadurecem.

Entre adultos, suspeito de que cada caso seja um caso.  Às vezes, é preconceito. Outras, desconfiança baseada em intuição, feeling — quem nunca ouviu de alguém ou pensou “Este sujeito não me engana…”? Há também as situações em que a pessoa simplesmente é reservada, prefere viver em um círculo fechado de amigos; ou é tímida e tem dificuldade para demonstrar afeição. Sem contar quando alguém “não vai com a cara” da outra pessoa gratuitamente ou porque não viu afinidades exploráveis naquela relação.

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Grafite (arte urbana) de Alice Pasquini.

Acho mais fácil entender uma paixão não correspondida. Afinal, ninguém é obrigado a corresponder a esse sentimento, nem a sentir atração física por quem quer que seja. Já a não-correspondência de uma amizade me parece mais difícil de explicar (a não ser nos casos que apontei acima). Digo isso porque já vivi situações em que fui extremamente afável com uma pessoa, e ela não fez o menor esforço para se aproximar de mim, ainda que não houvesse nenhum motivo aparente (como os que listei no parágrafo anterior) para o desdém. Mistérios do comportamento humano…

Em situações assim, quanto insistir? Estou entre os que persistem dentro de certa medida. Pode valer a pena vencer as barreiras de uma pessoa e mostrar a ela que você não é o bicho de 7 cabeças que ela imagina. Conquistar amigos é saboroso. Há limites, porém. Uma sequência seguida de “nãos”, por exemplo, cansa e pode até ferir a autoestima. Restam a dúvida (por que essa pessoa não quer minha amizade?) e o sentimento de reprovação e frustração. Uma pena! Perde quem tem amizade para oferecer. Perde quem deixa de recebê-la.

Desenho de Pat Perry.

 

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