Estimados hermanos argentinos…

Primeramente, aunque un poco tarde, les felicito por el vice-campeonato en la Copa del Mundo 2014. ¡Ustedes lucharon mucho! Nosotros, los brasileños, lo sabemos y lo valoramos más que a las otras nacionalidades participantes del Mundial porque perdemos de una manera humillante para los mismos alemanes que les derrotaron.

 

Selección Argentina 2014 (Foto: Sport/FIFA)

Selección Argentina 2014 (Foto: Sport/FIFA)

 

La derrota duele, es verdad. Pero sigue la vida, y creo que es muy importante valorar esta conquista del segundo lugar. A pesar de eso, les digo, sin hipocresía, que estaba a favor de la Selección Alemana. Yo podría mencionar varios motivos para eso, pero hay dos más importantes que los demás:

1- Aunque la mayoría de los argentinos y de los brasileños tengan una relación muy cercana y amable en casi todos los aspectos – yo mismo ya estuve en Argentina varias veces y ustedes se portaron extremadamente bien conmigo – cuando se trata de fútbol nos convertimos en rivales atávicos. Las dos partes son así. Supongo, incluso, que nosotros, los brasileños, somos más radicales en este aspecto. De todas formas, creo que no hay diplomacia y política que puedan cambiar la relación deportiva.

2- Los alemanes se portaron de una manera muy amable con nosotros, especialmente tras la derrota brasileña, el inolvidable y histórico 7 x 1. Estoy seguro que lo mismo no pasaría si la Selección de Brasil hubiera perdido para la Selección Argentina con el mismo marcador. Los periódicos argentinos no tuvieron compasión por nosotros, cómo ustedes lo saben muy bien. Hubo celebración argentina con nuestra derrota – excepto, claro, cuando se trataba de argentinos que ya viven en Brasil hace muchos años y tienen relaciones estrechas aquí.

 

Capa do jornal argentino "Ole", que zomba da derrota brasileira para a Alemanha.

Portada del periódico argentino “Olé”, que hace broma de la derrota brasileña: el marcador fue Alemania 7, Brasil 1.

 

Mi conclusión es, por lo tanto, obvia: somos hermanos, sí, pero sólo fuera de los campos de fútbol. Eventualmente, nuestros países tienen atritos comerciales, sin embargo las relaciones personales entre argentinos y brasileños son estupendas. ¡A mi ustedes me encantan! ¡De verdad!

 

Buenos Aires es una de las ciudades más bonitas de Sudamérica. Entre las capitales y grandes ciudades en general, en términos de arquitectura y historia, Buenos Aires es posiblemente la más interesante de Latinoamérica. Si yo tuviera que elegir una otra ciudad latinoamericana para vivir, estén seguros que sería la capital argentina.

 

Buenos_Aires

 

El hecho de que Brasil y Argentina tengan perdido la Copa, algo muy triste para los dos, trae una oportunidad más de unión entre nosotros. Hay un proverbio en Brasil que dice que los momentos de dolor unen los verdaderos amigos. ¡Que así sea entre brasileños y argentinos! ¡Unidos de nuevo! Al menos hasta el próximo partido Brasil x Argentina y, principalmente, hasta la próxima Copa del Mundo…

!Saludos cordiales!

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O triste fim da língua inglesa.

Era uma vez um idioma! Foi recente e célere seu sepultamento, porém longevo seu término. Definhou durante anos, decênios, séculos, até que se ouviu seu derradeiro suspiro. Deixa atrás de si uma linda história e belas histórias, assim como estupefatos aqueles que o julgavam imortal e uma legítima lingua franca. Mal se aperceberam estes de que foi justamente sua descontrolada expansão sua causa mortis!

 

Shakespeare, o maior ícone da literatura inglesa.

William Shakespeare, maior ícone da literatura inglesa.

 

O inglês deixará saudades e, obviamente, reminiscências. Seus últimos dias, no entanto, serão, por certo, os mais marcantes, inesquecíveis talvez – com o devido perdão a William Shakespeare (1564-1616), que seria quiçá o único portador de elixir capaz de salvar a vida de seu pátrio idioma.

Enfim, como olvidar o estado moribundo da língua inglesa, aqui mesmo neste Brasil varonil, quando o sincero empenho em expandi-la tornou-a, contrariamente, ainda mais debilitada? São tantos os exemplos de situações que contribuíram diretamente para seu triste desfecho! Eles vêm de todos os rincões do mundo, mas costumam manifestar-se mais amiúde em países que recebem muitos turistas, especialmente em grandes eventos, como uma Copa do Mundo.

Torcedor na Copa do Mundo 2014.

Torcedor durante a Copa do Mundo de 2014.

 

Tomo a liberdade de relacionar alguns desses exemplos, com o inestimável apoio de amigos anglófilos que, por mera caçoada, reuniram-se comigo em torno da burlesca “Campanha pelo Fim da Língua Inglesa”. Evidente está o caráter irônico desse movimento, mediante o qual, na verdade, esperava-se – ainda que com bastante realismo – se não reabilitar ao menos prolongar a existência do idioma dos Beatles.

 

Pamonha

Imagem emprestada de uma das poderosos ativistas da “Campanha pelo Fim da Língua Inglesa”.

 

Ei-los, pois:

1-    Beauty! — Uma das gírias do português brasileiro, empregada desde fins do século 20 até a atualidade, diz-se “beleza” quando se quer afirmar ou indagar “tudo bem”, “tudo certo”, “tudo sob controle” etc., mas em inglês só tinha mesmo o sentido de “beleza”, “boniteza”, portanto ela soaria fora de contexto para um nativo do falecido idioma inglês.

2-    Fool — Como em português diz-se, na gíria, que um tolo é “pamonha”, houve vendedores de alimentos que ousaram traduzir essa iguaria de milho, a pamonha, como “fool”! (Ver foto acima, que uma amiga tirou em um restaurante*).

3-    Lick-lick — Inexistente em inglês, refere-se aos antigos fotógrafos lambe-lambe em português; e o mais dispensa comentários.

 

English_language

 

4-    Point of bus — Ao pé da letra, “ponto de ônibus”, típico caso em que se liqüida a versão inglesa original e correta: “bus station”.

5-    Legal — Novamente, ao pé da letra, não há erro na expressão, mas se trata igualmente de tradução literal de “legal”, que, em português, pode ter tanto o sentido de conforme a Lei quanto o da gíria referente a algo agradável, prazeroso. Este último não faria sentido para um ex-falante contemporâneo da já destroçada língua inglesa. Legal em inglês (vivo até pouco tempo atrás) só tinha mesmo o sentido de algo em concordância com a Lei.

Enfim, bem antes de nós, o arguto Millôr Fernandes lançou seu primeiro “manifesto”, talvez antevendo o desfecho trágico do inglês por estas bandas: “The Cow went to the Swamp” (“A Vaca foi pro Brejo”).

 

Livro_Millor

 

A conclusão é por demasiado óbvia para o leitor (até porque já teve menção no princípio deste texto): a causa primeira, o fator deflagrador que levaria a língua inglesa à enfermidade e à morte, chama-se expansão e, com ela, um vírus letal chamado tradução literal. Eventualmente, versões precárias, mesmo que não ao pé da letra, contribuíram muitíssimo para o agravamento do quadro.

Em terras distantes, por meio do contato com nativos, habitantes de cultura diversa e falantes de outras línguas, o inglês, a princípio, parecia robustecer-se, enriquecer-se e, mesmo o contrário, a disseminar-se, a influenciar e contaminar numerosos idiomas.

A língua inglesa chegou a ser alvo de acusações como as de “dominação cultural”, “colonialismo lingüístico”, “influência perversa”, entre outras. Curiosamente, ao que parece, o camundongo engoliu a cobra. Morreu o inglês. Sucumbiu o colonizador ante seu colono. Ironia do destino?

 

Fim_da_lingua_inglesa

 

O fenômeno – cumpre recapitular – deu-se de forma bizarra: por um lado, o inglês impunha-se como uma espécie de lingua franca, mas, por outro, afastava-se de suas origens e perdia-se em versões canhestras, às vezes incompreensíveis, quando não risíveis, para seus falantes nativos.

Em nome da comunicação, da política e da diplomacia informais, foram-se aceitando, paulatinamente, versões “locais” da língua inglesa, por mais extravagantes que parecessem, como nos exemplos acima (cinco entre centenas, somente em português!).

Em síntese, assim se deram o abatimento e conseqüente óbito do idioma inglês. Aqui jaz parte dele. Acolá, outra. Mundo afora, partículas do que um dia foi a língua-mãe de um dos maiores, se não o maior, escritor do mundo.

 

Frios

 

Réus? Condenados? São tantos que não há, neste planeta, cárceres que possam abrigá-los todos. Resta o desfecho histórico de um idioma como advertência aos que se candidatarem, garbosamente, ao posto de nova lingua franca deste mórbido planeta. Amém!

 

*A tradução literal e risível da palavra “pamonha” nada tem que ver com a companhia de cartão de crédito cujo símbolo aparece na foto, mas com o restaurante que aceita pagamento com essa bandeira de cartão.

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