Afeto, respeito, temor.

Se você exerce ou já exerceu cargo de chefia, o que você espera ou esperava despertar nas pessoas sob seu comando: afeto, respeito ou temor?

Aposto que responderá: afeto e respeito. Afinal, quem ousa admitir, inclusive para si mesmo, que gosta de ser temido?

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Ao longo de minha vida profissional, já tive chefes — homens e mulheres — que despertavam em seus subordinados afeto e respeito. Evidentemente, foram os melhores.

Muitas vezes, porém, deparei com chefes que, consciente ou inconscientemente, preferiam despertar temor. Sentiam certo sabor sádico em ver seus empregados comportarem-se como servos, lacaios, súditos até. Apreciavam demasiadamente mesuras, rapapés, cabeça baixa, bajulação. Esses, claro, foram os piores.

Acontece que esse quadro não é tão nítido quanto o estou pintando até aqui. Obviamente, tem muitos matizes, e é justamente por ser nuançado que ele se torna mais complexo.

Há chefes que despertam afeto, mas não respeito. Há os que despertam respeito, mas não afeto. Há ainda os que ora despertam respeito, ora, medo — e nem sempre é possível ter certeza do que é um e outro. Já conheci até chefe que despertava afeto, respeito e medo ao mesmo tempo.

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Claro que combinações são complicadas porque o afeto dificilmente se dá com o medo. Parece-me igualmente difícil respeitar uma pessoa que inspira temor. Quando se trata de seres humanos, porém, tudo é possível. Preciso lembrar o que é Síndrome de Estocolmo?

Para matizar um pouco mais esta abordagem, devo lembrar que nem todos os chefes que inspiram apenas temor são tiranos. Há aqueles — homens e mulheres — que despertam medo por sua postura, mas não fazem questão de reverências, adulações, subserviência. Não humilham, embora sejam capazes de aterrorizar somente com o jeito de olhar ou de fazer perguntas.

Esse último tipo chega a dar a impressão de que apenas impõe respeito quando, na verdade, assusta, sim, pois sua severidade é mais sutil, porém não menos aterrorizante. Chefes assim costumam ter plena consciência de que despertam temor, até porque, via de regra, fazem-no propositadamente. São racionais, calculistas, fleumáticos.

A verdade é que qualquer chefe — homem ou mulher — carrega uma aura de poder, por mínima que seja. Afinal, tem a caneta na mão. Pode demitir. Talvez não possa demitir quem quiser na hora que bem entender. De qualquer forma, essa é sempre uma prerrogativa dele ou dela.

Abro parêntese. Talvez você esteja achando que me esqueci do fator admiração. Não o esqueci. Apenas o incluí no fator respeito, para simplificar. Sei que são conceitos diferentes, mas arrisco a aproximação. Fecho parêntese.

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Enquanto escrevia este texto, pensava: de qual chefe gostei mais? Olho para trás e me recordo de que tive muitas mulheres como chefe. Da primeira lembro-me pouco. Era a dona ou a diretora da escola de inglês onde lecionei por menos de seis meses. Em seguida, tive uma chefe na primeira redação de TV que pisei na vida. Muito simpática! Nada autoritária. Gostei realmente dela. Respeitava-a, mas aquele era meu primeiro estágio, então eu ainda não dominava o ofício suficientemente para avaliar seu desempenho.

Depois da TV, tive duas chefes, uma delas diretamente responsável por supervisionar meu segundo estágio. Mulher fantástica! Despertou em mim afeto e respeito/admiração. A que estava acima dela inspirava respeito e temor, a depender do momento. Era um pouco irascível, notava-se. Foi ela, porém, que me deu a oportunidade do primeiro emprego, onde tive mais duas chefes além dela. Mulheres incríveis! Ambas despertaram em mim, cada uma a sua maneira, afeto e respeito/admiração. Até hoje, tenho contato com elas, ainda que esporádico.

Daí em diante, foi a vez dos homens. O primeiro inspirou um misto de respeito e temor. Quando me esculachou pela primeira vez, restou somente o temor. Jamais poderia imaginar que, anos mais tarde, ele seria um de meus melhores amigos, um verdadeiro mentor profissional, quase um guru para mim. Curiosamente, isso só foi possível porque conquistei seu respeito.

O seguinte era do tipo que inspirava afeto à primeira vista. Tinha um carisma impressionante. Sinto saudades dele. Lamento termos nos perdido de vista. Eu também o respeitava, mas, vez ou outra, ele me decepcionava um pouco. Acho que ele tinha consciência disso. Em todo caso, foi um dos melhores chefes que tive. Voltaria a trabalhar com ele se o tempo voltasse. Não pensaria duas vezes porque, depois dele, nunca mais encontrei chefe tão doce e tão dócil.

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O próximo seria um político simpático, bonacheirão, que em mim inspirava mais afeto que admiração, pois notei cedo sua pobreza de ideias inteligentes. No entanto, parecia-me bem-intencionado. Isso garantia-lhe, claro, algum respeito de minha parte. Perdi todo o contato com ele. Hoje não sei nem sequer se ainda vive. De qualquer forma, a imagem que tenho guardada dele é, no geral, bastante positiva. Nunca soube que tenha se envolvido em prática de corrupção.

Em seguida, meu chefe direto era o presidente do órgão onde coordenei uma equipe de seis pessoas. Ele também era do tipo que despertava respeito e afeto. Tratava-me, às vezes, quase como se eu fosse um filho ou um sobrinho dele, afinal eu era bem jovenzinho, embora ocupasse cargo de supervisão. Depois que saí de lá, nunca mais tive contato com ele. Soube que faleceu anos depois, longe do centro do poder do qual fizera parte um dia.

Mais um chefe do sexo masculino viria, e com ele mantenho contato até hoje. Eis um tipo raro: capaz de despertar, ao mesmo tempo, afeto, respeito/admiração e temor. É um camaleão. Com o passar dos anos, tornou-se mais compreensivo e afetuoso. Quando o conheci, despertava verdadeiro pavor em muitas pessoas do escritório. Apesar de eu ser jovem para a função, ganhei sua confiança e seu respeito. Por muitos anos, entretanto, também o temi. Hoje, seu amigo, sinto-me bastante confortável para lhe dizer o que penso e sinto sobre quase tudo.

Como já me alonguei bastante, devo resumir as próximas experiências com chefes em apenas um parágrafo. Não o faço porque foram pessoas menos importantes, mas porque algumas delas mereceriam texto à parte, tão complexas foram e são. De alguns anos para cá, deparei com 1) um chefe amabilíssimo — também amigo, antes e depois de trabalharmos juntos –; 2) um outro simpático, porém inconstante e ligeiramente inseguro; 3) um “trator” (com tudo de bom e de ruim que possa haver nisso); 4) mais um amigo, simpático, confiável, porém crítico corrosivo; 5) um “pavão” inteligentíssimo, agradável, porém desconfiado; 6) um homem discreto, muito educado, mas limitado em vários sentidos e ainda mais desconfiado; 7) um jovem adulto pernóstico, de inteligência mediana e capaz de assédio moral; 8) uma mulher sensível (até demais), medianamente inteligente e rancorosa (a ponto de ser vingativa); e 9) um homem de inteligência de mediana para inferior, comedido, aparentemente falso, mas bastante educado.

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As brevíssimas descrições acima dão uma ideia do que essas e esses ex-patrões despertaram em mim e do quão diferentes podem ser as pessoas em postos de comando. Como se sabe, há rica diversidade no ecossistema da gestão de equipe.

Admito que aprecio essa diversidade, mas lamento profundamente notar que, em numerosas vezes, a simpatia mascara a incompetência, a competência mascara o (mau) caráter, e o (mau) caráter, bem… O (mau) caráter estraga tudo.

O mínimo que se espera de um gestor  de pessoas — homem ou mulher — é algum equilíbrio entre generosidade, competência e capacidade de liderança. Quando falta uma perna nesse tripé, ele, claro, fica manco.

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Enquanto é tempo.

Perdi a pessoa que eu mais amava neste mundo. Um câncer devastador levou minha mãe no último domingo. Ainda tenho a sensação de que ela está no hospital ou na casa de minha irmã mais nova, à espera de minha chegada, para que eu também cuide dela. Minha mãe dizia que se sentia mais segura quando eu estava por perto. Gostava particularmente de que eu dormisse no hospital ou no quarto ao lado do dela, quando estávamos na minha irmã ou em minha casa. De fato, a doença dela instigou meu lado paternal, e eu era quase um filho superprotetor.

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“Melancholy”, Edvard Munch, 1891/1893.

Na verdade, minha mãe sempre despertou em mim a vontade de protegê-la. Não porque ela fosse frágil, mas por ser ocasionalmente ingênua e, certamente, muito generosa, inclusive com quem eu julgava não merecer sua generosidade. Eu tentava, às vezes com êxito, às vezes não, impedir que pessoas a explorassem ou a enganassem ou mesmo a maltratassem. Com ela já idosa, tornei-me ainda mais rigoroso nessa vigilância. Cheguei a comprar brigas por causa dela e confesso não me arrepender disso porque, em alguns casos, o respeito que tinham por ela se devia, em parte, ao temor que tinham de mim.

Felizmente, mamãe era tão querida que podia, eventualmente, prescindir de minha proteção. O jeito singelo de ser, que despertava o filho cuidadoso em mim, era o que na verdade conquistava simpatia para minha mãe. Estava ali uma pessoa quase completamente despida de poder. Daí a atrair espertalhões, era só um pulinho. Mas lá estava eu para impedir ou pelo menos inibir a ação dessas pessoas. Digo isso não somente porque essa era, de fato, minha postura, mas porque era eu o filho mais próximo fisicamente de minha mãe. Morávamos a menos de 1 quilômetro um do outro. Sem contar que minha irmã mais velha passa mais anos no exterior do que no Brasil. Outra também se mudou do país. A terceira mora em uma cidade vizinha, a aproximadamente 200 quilômetros de Brasília.

“Família Campestre”, Eugenio Zampighi, século 19.

É estranho pensar que sepultei minha mãe. Eu olhava para o corpo dela no féretro, e aquela presença me confundia. Se aquele corpo inerte não era mais ela, quem seria ela? Onde estaria a alma que tanta vida dera àquele corpo? Se ainda vive, por que se mantém invisível? Tenho lembranças remotas e recentes de minha mãe, e elas também se mesclam na minha cabeça, e fico ainda mais confuso. Não sei em qual imagem me apegar. Porque, afinal, quero sempre me lembrar dela de alguma forma, só que não como alguém que deixou de viver.

Parece inacreditável tudo isso. Não! Minha mãe não morreu. Está na casa dela aqui perto da minha. Vou almoçar com ela amanhã. Ela vai preparar um almoço delicioso, temperado com muito amor, e vou comer três pratadas e deixá-la orgulhosa. Não! Ela está na casa de minha irmã mais nova, sob cuidados extremos, numa cama hospitalar, sofrendo pela perda gradual dos movimentos, mas ainda lúcida e disposta a demonstrar seu afeto, e eu lá, repetindo sempre: “Estou aqui, não vou deixar você, vou ficar muitos dias do seu lado”. Não! Ela está no hospital, e sou eu que vou passar a noite na cama ao lado da dela, e ela vai acordar várias vezes à noite, e eu vou pedir ajuda de uma enfermeira para trocá-la, ajeitá-la no leito ou aplicar-lhe morfina para aliviar a dor. Não! Ela está em minha casa em Brasília, no frio de julho, e eu a cubro de edredons, mantas e abraços. Ela, que não gostava de muito “grude”, no fundo sentia-se bem com meus carinhos. Ao longo da madrugada, ela acordava para ir ao banheiro e, antes que se levantasse da cama, lá estava eu à porta do quarto, pronto para acompanhá-la, e ela logo indagava, surpresa: “Você não dorme, não?”. Ficava ao mesmo tempo impressionada e satisfeita com minha rapidez: “Mal toco os chinelos, e você já está aqui!”.

The ill woman, c.1886 - Vasily Polenov

“A Mulher Enferma”, Vasily Polenov, c. 1886.

Vi minha mãe gritar e chorar de dor. Vi minha mãe esforçar-se para estender os braços, tocar meu rosto e acariciá-lo com as duas mãos. Vi minha mãe nervosa, angustiada, inquieta porque sentia que não estava melhorando. Vi minha mãe irritada e impaciente quando tomou doses erradas de um medicamento e a vi novamente afável e generosa quando interrompeu o uso dessa medicação. Vi minha mãe sorrir de alegria ao rever os netos. Vi minha mãe comer açaí como uma criança se delicia com um sorvete. Vi minha mãe ter toda a liberdade do mundo para me pedir algo que ela queria, e eu ter a imensa alegria de poder lhe proporcionar tudo o que ela quisesse. Vi minha mãe cair. Vi minha mãe dormir, enquanto eu a cobria para que não sentisse o frio da madrugada. Ouvi minha mãe se despedir de mim com os olhos marejados de afeto.

Se você tem mãe e gosta dela, não poupe carinho, tempo, presença, dinheiro. Dê a ela o máximo de si. Quando ela se for — se ela partir antes… — você ainda sentirá que fez pouco, mas terá a consciência tranquila, como eu tenho, de que fez o que estava a seu alcance para demonstrar seu amor por ela e fazê-la mais feliz. Nos últimos meses, sobretudo, me despi de todos os fúteis acessórios de minha personalidade para me dedicar quase integralmente a minha mãe. Orgulho, vaidade, medo, preconceito, trauma, tudo foi pelos ares. Graças a Deus! Não me arrependo nem um segundo do que fiz e, se o tempo voltasse, mais eu faria, muito mais, muito mais mesmo.

Se você tem mãe, e ela visivelmente gosta de você, como a acachapante maioria das mães, invista em sua relação com ela. Nunca me arrependi de ter em minha mãe minha melhor amiga. Nunca me arrependi de um dia tê-la aceitado como era e valorizado suas qualidades, quase ignorando seus defeitos. Talvez você não tenha tido a sorte que tive de ter uma mulher fantástica como mãe. Isso acontece. Há mães mais e menos generosas, mais e menos dedicadas, mais e menos gentis, mais e menos compreensivas, mais e menos instruídas, e por aí vai. Tudo bem. O importante é que, mesmo diante das limitações de sua mãe, única e insubstituível, você consiga transmitir a ela seu amor, um amor que você já sente e, às vezes, só precisa demostrar — ou demonstrar mais. Não espere que a doença ou a morte lhe dê coragem para expressar seus melhores sentimentos por sua mãe. Confesso, outra vez, que eu teria demonstrado muitíssimo mais meu amor por ela se eu soubesse que a perderia tão cedo — pois eu acreditava firmemente que ela chegaria aos 90, como minha avó, mãe dela, chegara.

Mother And Son, Circa 1910-15 Artwork By Alice Schille Oil ...

“Mãe e Filho”, Alice Schille, c. 1910/15.

Quando se é jovem, pai e mãe parecem eternos. Quando a juventude se vai, acende-se um sinal de alerta, mais relacionado ao receio de que eles fiquem doentes. Quando se avança na fase adulta, e os pais já estão lutando contra as doenças que você temia que eles tivessem poucos anos atrás, a morte os espreita, mas aí você faz de conta que não a percebe. Eis que ela chega, de uma vez ou de mansinho, e carrega quem um dia ninou você. Seu mundo desaba. Pode acreditar.

Sepultei minha mãezinha na última segunda-feira. Ainda me sinto confuso e um pouco atordoado. Pensava que fosse enlouquecer quando isso acontecesse, mas estou aqui, diante deste teclado, firme na medida do possível. Ora me emociono, ora me fecho, ora me distraio. Seja como for, sei que minha mãe está comigo o tempo todo, em minha memória, em minha saudade. Para suportar sua falta pelo resto de minha existência, preciso desesperadamente acreditar que vou reencontrá-la um dia. Caso contrário, sem essa esperança, aí, sim, posso vir a enlouquecer. Por enquanto, sigo firme, na medida do possível. Na medida do possível.

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Afirmo: você nega.

Hoje é dia de maldade. Vim colocar minhoca na sua cabeça, pulga atrás da sua orelha. Banca? Segura a onda? Mesmo? Não venha reclamar depois. Lanço aqui o desafio: pensar no que você tantas vezes evita ou, talvez, desconheça. Vamos lá?

Para começar, proponho que você reflita um pouco sobre a ideia de negação. “A negação é um mecanismo de defesa inconsciente em que o conflito emocional e a ansiedade são evitados por recusa em reconhecer pensamentos, sentimentos, desejos, impulsos ou fatos conscientemente intoleráveis”, afirma o psicólogo clínico e psicoterapeuta português Pedro Martins.

See Not, Hear Not, Speak Not: Three Faces of Denial

Acredito que todas as pessoas vivem ou já viveram o estado de negação. Você, portanto, está entre elas. Aposto que você já deu uma de avestruz, enfiou a cabeça na areia e fez de conta que algo considerado ruim não existia (sim, eu sei que essa história de avestruz enterrar a cabeça é lenda, mas gosto da analogia porque a imagem funciona).

Agora que você já admitiu (espero!) ter feito de conta, ao menos uma vez, que um problema não existia, que tal resgatar essa situação? Qual problema (ou quais problemas) foi esse que levou você a negá-lo? Por que fingiu que ele não existia? O que paralisou você a ponto de evitar buscar uma solução? A separação de seu pai e sua mãe? A atração pela namorada ou pelo namorado de sua melhor amiga ou de seu melhor amigo? Uma situação financeira ruim?

Recordou-se? Como se sentiu? Essa lembrança fez mal, fez bem ou foi indiferente para você? Podemos seguir em frente?

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O próximo passo é descobrir se você está negando a existência de algo hoje. Provavelmente, está. O que seria? O que você finge não existir? Do que você está fugindo? De uma doença? De uma perda? De uma separação? De uma paixão? De uma atração sexual que você considera errada ou pecaminosa? Da conta em vermelho no banco? Pense! Ignore o medo.

Lembrou? Descobriu? Não? Tente de novo. Enfrente o espelho. Coragem!

Agora que você corajosamente enfrentou negação ou negações do passado e do presente, que tal refletir sobre o que está levando você ao estado de negação hoje? O que impede você de encarar a situação e tentar resolvê-la? Mais: no que você está se apegando para sustentar essa negação? Família? Igreja? Trabalho? Uma pessoa? Sexo? Drogas? Rock’n’roll? Tudo isso junto? O que foi? Pense!

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Estou sendo muito atrevido? Talvez sim. No entanto, estamos longe agora. Não vejo você. Não sei se é amiga, amigo, parente, conhecida, conhecido, fã, desafeto. Tenho apenas ideia de quem segue este blog. Presumo que sejam pessoas suficientemente esclarecidas para saber que encarar o próprio espelho é tarefa difícil. Exige bravura e, na maioria das vezes, psicoterapia também. Que tal ir atrás de um ou de uma psicoterapeuta?

Sabe por que digo tudo isso? Não sou psicólogo, nem trabalho para profissionais de psicologia, portanto, nada tenho a ganhar, materialmente, ao defender que você busque um ou uma psicoterapeuta – ou psicanalista, se preferir alguém dessa linha. Digo isso porque, se você chegou até aqui, algo tocou você neste texto. Se não, tê-lo-ia abandonado logo no início ou no meio. Apenas curiosidade? Será mesmo? Não haveria algo mais nessa curiosidade? Ou será que o estado de negação ataca outra vez, e você não admite que estou certo, embora precise, sim, de terapia para mergulhar fundo em si mesma (o), entender melhor aquilo que nega, admiti-lo e superar mais esse desafio na vida?

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