E quando a gente não gosta do que escreveu?

Aconteceu. Reli um post deste blog e não gostei. Já o tinha publicado, e muita gente, lido. Tarde demais para apagá-lo. Ficou.

É falsa modéstia de um autor dizer que não gosta do que publica. Pelo menos quando publica, gosta sim! Pode até não estar 100% seguro da qualidade do próprio texto, mas não o publicaria espontaneamente se achasse que está um lixo.

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O que aconteceu, no meu caso, foi que, na hora em que postei o artigo, fui benevolente comigo mesmo. Depois de alguns dias, reli o escrito e lamentei tê-lo publicado. De qualquer forma, não está horrível. Apenas acho que ficou muito aquém do que eu gostaria.

Escrever pode ser uma necessidade, um vício, uma pretensão, menos um exercício fácil. Conteúdo e forma são dois Everests diante de um autor. O que dizer pode ser tão importante e complexo quanto como dizer.

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Para ser bem franco, a prática de redigir ajuda muitíssimo, mas não resolve em 100% dos casos. Por mais experiência que um autor tenha, ele pode simplesmente ficar travado, bloqueado, ou perder, por algum tempo, a autocrítica.

Um autor pode se empolgar e, depois de escorregar no tobogã da vaidade, escrever sobre o que não entende ou disparar contra quem não merece ou simplesmente raciocinar mal, incorrer em falácias, enfim, produzir um discurso que só tem valor para ele mesmo — e olhe lá!

Resumo da ópera: se escrever não é nada fácil, publicar pode ser um desafio maior ainda. Exige segurança, bom senso e coragem.

Por isso, a compreensão dos leitores é bem-vinda, e a crítica construtiva também.

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Amigos, amigos, chatice à parte.

Certas pessoas simplesmente desconhecem o sentido de jogar conversa fora. Para elas, deve-se falar sério o tempo todo ou calar-se para sempre. Por mais chatas que sejam, muitas delas fazem parte de nosso convívio, e não dá para evitá-las. Goste-se ou não, o jeito é conviver com elas.

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Um tipo bastante comum: quem leva ao pé da letra o que alguém diz em mesa de bar.

— O mundo vai mal. É fome, é miséria, é guerra para todo lado.

— Não. Há muitos países onde não há fome, nem miséria, nem guerra.

— Está bem. Vou ali buscar o tablet. Preciso fazer uma pesquisa para dizer quantas pessoas no mundo são subnutridas, materialmente vulneráveis e vítimas de conflitos armados. Depois, podemos tirar uma conclusão mais precisa. Ah, você só se esqueceu de me corrigir e dizer que o mundo é redondo e, portanto, não pode haver nada para lado nenhum!

Gente assim acha que qualquer lugar serve como banca de defesa de dissertação de mestrado ou de tese de doutorado.

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Há também os patrulheiros da política, sejam da situação, sejam da oposição.

— A cerva subiu demais! Essa inflação está de lascar! Daqui a pouco, só vou beber água.

— Na época do presidente X, também houve aumento de preços, também houve inflação.

— Epa! Eu só comentei que a inflação está alta. Não disse que é novidade no país.

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Outro espécime dessa fauna é o crítico mal-humorado:

— Já viu aquela novela das nove na Globo?

— Não vejo novela. Aliás, não assisto nem à Globo. Prefiro ler.

— Eu também acho que pouco se salva na TV aberta, mas, de vez em quando, gosto de me divertir com esses programas mais leves ou que não me obrigam muito a pensar. Passatempo. Só.

— Esse é o problema. A TV aberta distancia você da realidade. Aliena. Deturpa. Não dá.

— Certo… Devo ser burro mesmo. Fiz graduação, mestrado, viajei, trabalhei com pessoas e campos diferentes e muito interessantes, mas não aprendi nada. Continuo um estúpido, pois consigo ver, apenas para me distrair, uma novela sem-vergonha de vez em quando.

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Tal como o corretor ortográfico dos tablets e smartphones, existe o corretor de discurso oral. Esse, num ambiente informal, desperta em você o desejo de expulsá-lo para bem  longe. Xô!

— Esses americanos são dose!

— Estadounidenses, afinal todos nós somos americanos.

— Está bem. O governo estadounidense às vezes adota uma postura internacionalmente dominadora.  Que tal, professor?

 

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Eu poderia arrolar aqui dezenas de exemplos, mas o leitor já deve estar cansado. Deu para entender meu ponto, não? Aposto que se lembrou de que já viveu situações semelhantes vida afora. Quem nunca, não é mesmo? Melhor rir para não chorar. (Ih, será que alguém vai escrever para reclamar desse desfecho porque usei uma frase clichê?!)

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