Voltei.

Uma das alegrias que tenho ao manter este blog é a de não me sentir obrigado a publicar com periodicidade definida. Se a vontade de escrever aqui simplesmente desaparece, fico sem postar. Nada de cobrança — nem mesmo de minhas leitoras e leitores. Tanto é que faz mais de dois meses que publiquei um texto neste espaço. Mas cá estou. Voltei. Para dizer o quê? Pouco e muito ao mesmo tempo. Como assim? Lá vou eu!

Esporte_radical

Saudade – Esse é um assunto no qual preciso tocar. A saudade tem me corroído nas últimas semanas. Tantas pessoas se afastaram! Não. Nada de briga. Foi o vaivém desta nossa existência imprevisível mesmo. De uma pessoa em especial tenho sentido mais falta. O pior é que acho (apenas acho) que ela sente o mesmo. Por que não a procuro? Quem disse que não fiz isso outro dia? Só que ela está numa fase em que aparentemente não há espaço para mim. Triste, não? É a tal assimetria de expectativas e desejos…

Férias – Não foi só deste blog que tirei férias. Do trabalho também. Foram duas semanas longe da rotina e do estresse. Onde estive? Depois de muito hesitar — pois prefiro gastar meus trocados para conhecer lugares novos –, acabei retornando a Buenos Aires e a Santiago. Encontrei a capital argentina praticamente do mesmo jeito que estava quando a visitei dez anos atrás. Se houve mudanças, não as notei, embora ache isso muito improvável. Quanto à capital do Chile, bem… Essa merece um artigo à parte. Meu retorno àquela cidade foi algo quase mágico. Ainda não sei explicar bem por quê. Fato é que Santiago me encantou do primeiro ao último dia — tanto que eu não conseguia parar de fotografar quase tudo o que via na minha frente. Foram dias de… Isto mesmo: felicidade. Parece que me reencontrei. Havia me esquecido de que posso ser excelente companhia para mim mesmo.

A imagem pode conter: céu e atividades ao ar livre

 

Carreira – Voltei das férias com uma ideia: está passando da hora de eu redirecionar minha carreira. Venho adiando essa mudança há anos. Não posso mais esperar. Tenho de buscar realizar algo – seja onde for – mais parecido comigo. Para mim, é importante essa identificação entre quem sou e o que faço (profissionalmente). Mesmo que eu não troque de emprego, estou decidido a reformular meu papel nele. Se isso não for possível, o jeito será mesmo procurar outro tipo de ganha-pão. Espero conseguir operar essa mudança, especialmente porque, de alguns anos para cá, mudei em diversos aspectos. Não me identifico mais com o projeto de vida que adotei na adolescência.

Tolerância – O tempo vai passando, e vou me perguntando até quando terei paciência com a vida como ela é. Tenho de pedir desculpas a vocês pelo tom meio deprimente deste comentário, porém me predispus a escrever a verdade sobre meus pensamentos e sentimentos de agora. Realmente, estou farto da (des) humanidade — inclusive, muitas vezes, da minha própria. No topo de tudo, enxergo um egoísmo atroz em praticamente todas as pessoas. Somos cerca de 7,5 bilhões de apaixonados pelo próprio umbigo. Sinto-me mais e mais desencantado, desiludido.

Egoista

 

Brasil – Voltei das férias com menos paciência para o atraso do Brasil. Está cada vez mais difícil suportar a mediocridade brasileira (para pegar leve!) na educação, no atendimento em saúde, nos sistemas de mobilidade urbana, na segurança pública, no cuidado com a própria cultura, entre muitas outras áreas indispensáveis para uma vida minimamente digna. Argentina e Chile, países vizinhos com o passado comum da colonização e da ditadura militar, com muito menos território e recursos naturais, estão em situação melhor que a do Brasil em quase tudo. Por que o voo deste país é sempre o de uma galinha? Será que não vai decolar nunca?!

Relacionamento a dois – Eis um assunto que também tem consumido parcela significativa do meu tempo. Minha vida, nesse campo, é uma montanha russa. Como eu gostaria de dar um tempo desse turbilhão! Por um lado, eu me divirto com a riqueza das emoções que vivo. Por outro, estou convencido de que já passou da hora de eu viver uma relação minimamente estável. Acontece que, no amor, não adianta fazer planos. A vida é soberana. O máximo que as pessoas podem fazer é estar receptivas, abertas, mas nem isso garante o encontro de um relacionamento saudável, prazeroso, duradouro.

Em resumo, isso é o que tem ocupado minha mente nas últimas semanas. Se não me engano, trata-se da primeira vez em que fui tão explícito sobre mim mesmo com minhas leitoras e meus leitores deste blog. A verdade é que, até certo ponto, não tenho medo de me expor. Eu me banco. Não tenho vergonha do que penso, sinto e sou. Por que teria? Quando me abro, descubro logo quanta gente há parecida comigo ou atravessa situação semelhante. Por um momento, volto a me sensibilizar com a humanidade. Já vale!

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