Conhecer e supor.

Muita gente deve sentir o mesmo que eu quando (re) encontra e conversa com algumas pessoas: espanto. Não. Não me refiro ao fato de achá-las estranhas, exóticas, excêntricas ou mais gordas. Refiro-me, na verdade, ao que algumas pessoas pensam ou parecem pensar a meu respeito. Fico espantado com a imagem equivocada que têm de mim.

Espanto

Essa imagem pode ser positiva, negativa e até neutra (se a neutralidade for possível). Não importa. O que me chama a atenção é a distância entre o que algumas pessoas supõem que eu pense, sinta, goste, seja enfim, e o que realmente penso, sinto, gosto, sou. Às vezes, a discrepância é tanta que me divirto com a situação.

Entre os equívocos a meu respeito, inclui-se também, é claro, o que alguns conhecidos supõem que eu não goste. Um exemplo: futebol. Talvez por eu ter sido indiferente a esse esporte durante anos, haja quem suponha que eu não o aprecie . Gosto de futebol. Torço para um time. Só não sou fanático.

Futebol

Imagino que muita gente vivencie o mesmo e ora se divirta, ora se irrite (e sempre se espante) com as conjecturas dos outros a seu respeito. Mais espantoso ainda é quando essas conjecturas erradas partem de amigos ou de familiares, pessoas que teoricamente deveriam ter uma imagem bastante próxima da realidade.

Por eu ser brincalhão e “baladeiro”, há quem não me leve a sério. Até se surpreende quando descobre que sou jornalista, mestre em Comunicação, bacharel em Filosofia. O contrário também acontece. Quem só conhece o profissional não imagina que eu seja brincalhão e “baladeiro”.

Colação de grau em Filosofia (Foto: Tainá Frota)

Colação de grau em Filosofia na UnB. (Foto: Tainá Frota)

Não como carnes. Alguns apressadinhos logo concluem que sou politicamente correto, ativista socioambiental, patrulheiro da dieta dos outros e por aí vai. Nada mais distante da realidade. Sou “semivegetariano” (ainda como peixe, mesmo que pouco) e estou me lixando para o que as pessoas colocam em seus pratos.

Creio que algumas de minhas características levem muitos a supor que eu tenha certa predileção por culinária (sou colaborador de um blog de gastronomia e fui coautor de um guia gastronômico anos atrás). Na realidade, não sei fritar um ovo e seria incapaz de fazer uma crítica gastronômica. No máximo, dou minhas impressões pessoais.

Talvez por minha casa ser apresentável, alguns pensem que entendo e gosto de decoração. Ledo engano! Decoração está entre os temas que menos me interessam. Respeito profundamente quem lida com isso, mas não suporto sequer visitar lojas de móveis — a não ser que eu tenha algo definido para comprar (por necessidade).

Aplaudo os arquitetos, os decoradores, os designers, os especialistas em moda. No entanto, esses assuntos só me interessam superficialmente. Arquitetura, quando visito uma cidade, faz toda a diferença. No dia-a-dia, porém, dou graças a Deus por não ter de pensar nisso. Moda, então! Só o suficiente para eu não ser o rei do brega.

Se alguém quiser me causar um enfarto ou uma crise de riso (a depender do meu humor no momento), basta sugerir que tive ou tenho um caso com uma pessoa mais velha. Pois já ouvi esse tipo de absurdo. Quem me conhece minimamente sabe que minha predileção, no campo afetivo-sexual, oscila na faixa entre os 20 e os 30 anos de idade. Numa hipótese improvável, eu abriria exceção para alguém da minha idade (em excelente “estado de conservação”, bem entendido). Não mais.

Politicamente também, há quem me julgue de esquerda (só porque trabalho no governo federal) e de direita (porque tenho algumas posições consideradas mais conservadoras). Equívocos… Não tenho partido político. Sou fã da presidente Dilma Rousseff, sinto firmeza nela, mas não bato boca com a oposição. Acho importante que ela exista para o bem da democracia.

Presidenta Dilma em Cascavel, Paraná. (Foto: Roberto Stuckert Filho)

Presidenta Dilma Rousseff em Cascavel, Paraná. (Foto: Roberto Stuckert Filho)

Ao tratar deste assunto aqui, volto-me para meu umbigo porque não me sinto igualmente à vontade para me manifestar em nome de outras pessoas, embora eu também ouça absurdos sobre conhecidos, amigos, parentes. Às vezes, isso chega a me deixar melancólico. Como as pessoas podem supor tanto e conhecer tão pouco umas às outras?! Não vou nem entrar no mérito do que publicam alguns jornalistas… Quanta especulação!

Enfim, escrevo tudo isso em parte como desabafo, em parte na expectativa de encontrar eco nos meus poucos e generosos leitores. Preciso sentir-me acompanhado nessa questão. Suponho que muita gente sinta o mesmo espanto que eu (e também se irrite ou se divirta ou ambos).

Ao menos um grande amigo (só amigo, destaco, pois já houve cretinos que supusessem outro tipo de relação entre mim e ele, porque nos vêem frequentemente juntos, demonstrando absoluta ignorância tanto sobre um quanto sobre outro) compactua desse pensamento comigo. Volta e meia, dizemos um ao outro: “Julgar é uma merda!”. Acho que isso resume tudo.

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2 respostas para Conhecer e supor.

  1. Patrícia Costa disse:

    Luciano, sofro do mesmo mal… Me vi em diversos pontos relatados por vc. Tamo junto! Bjks!

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