Fast food (for thought).

Muita gente parece se esquecer de que restaurantes do tipo fast food têm essa denominação porque a proposta deles é justamente oferecer alimentação e atendimento rápidos. Estão equivocados, por conseguinte, tanto os estabelecimentos desse gênero que demoram a servir quanto os clientes que neles demoram a escolher, especialmente se há pessoas atrás deles na fila.

fastfood_logos

Costumo agir assim: chego à praça de alimentação de um shopping center, elejo um fast food, busco o cardápio (às vezes, as opções estão afixadas no alto da parede), escolho o que desejo comer, posto-me na fila (quando há fila, evidentemente) e, na minha vez, faço meu pedido em segundos, já com o dinheiro ou o cartão à mão para efetuar o pagamento e agilizar meu atendimento o máximo possível. Dessa forma, não obrigo nenhum outro cliente a aguardar mais que o necessário na fila. Só que nem todos, infelizmente, comportam-se assim…

Volta e meia, deparo com a seguinte situação: sigo o trâmite descrito acima, mas o cliente logo à minha frente não. Ele pára diante do caixa e, somente então, passa a analisar as opções do cardápio. Indeciso, faz perguntas ao atendente. Enquanto isso, a fila cresce atrás dele. Espero, espero, espero…

No lugar dele, eu já teria escolhido a refeição de dez pessoas. Ele hesita. Pergunta. Pensa. Em vez de liberar o caixa para os próximos clientes até decidir o que quer, ocupa este e mais outro empregado da casa, o qual vem reforçar o atendimento, uma vez que o caixa não tem a obrigação de conhecer a fundo todo o menu. A fila aumenta, e a paciência de quem espera diminui.

Fila

Depois de ter vivenciado situações como essa numerosas vezes, perdi a paciência. Hoje, uma mulher, acompanhada de quem deveria ser seu filho de 6 a 7 anos de idade, aboletou-se diante do caixa de um fast food em um grande centro de compras de Brasília e monopolizou a atenção da moça do caixa e de outro funcionário simplesmente porque não conseguia fazer sua escolha. Pedi, então, licença para fazer meu pedido enquanto ela se decidia. Para quê?!

Ela me olhou com raiva, ofendidíssima, e respondeu-me em tom irônico: “Pode fazer seu pedido, já que você é tão educado…”. Sem papas na língua, retruquei: “A senhora é que não tem educação, pois não entende como deve funcionar um fast food.” Indignada, ela contestou: “Você é muito mal-educado!”. Não me segurei: “Se a senhora fosse educada, saberia que, em um fast food, a pessoa escolhe primeiro e, só depois, vai ao caixa para pagar. Não faz ninguém esperar enquanto a senhora escolhe.” Ela ainda resmungou enquanto eu fazia meu pedido à caixa, obviamente em segundos.

Provavelmente, a mulher ainda falou mal de mim depois. Deve ter contado ao marido (se tiver um) e a amigos e conhecidos que encontrou um grosso na fila do restaurante. Todos (ou a maioria) talvez tenham concordado com ela. Afinal, como é que pode? Quanta falta de paciência! Custa esperar uns minutinhos? Como há gente grosseira neste mundo! Ninguém mais tem educação. Onde estão a gentileza, a cortesia? Blá, blá, blá…

E eu cá estou relatando minha versão dos fatos. Ocorreram exatamente assim (na medida em que a memória permite alguma exatidão).

Talvez eu devesse ter mesmo um pouco de paciência, uma vez que essa mulher não é a única a agir como se o relógio do mundo funcionasse em função dela. Ciente disso, ao sair de casa, devo estar preparado para esse tipo de situação, esse tipo de comportamento equivocado. No entanto, jamais deixarei de ver como inegável a lógica que precisa imperar nos serviços de um fast food, até para que se justifique esse nome.

Se fui impaciente, será que ela não o foi mais do que eu? Por que não desocupou o caixa enquanto escolhia? Pressa? Se fui grosseiro (e pedir licença para fazer meu pedido na frente não é ato de grosseria, muito antes pelo contrário), ela não o teria sido mais do que eu? Por que não cedeu o lugar espontaneamente quando se viu tão indecisa? Falta de gentileza? Sinceramente, para mim, atitudes como essa são obra e graça de nada mais, nada menos que egoísmo. E haja paciência!

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